Chegou ao fim… a teimosia de Bach

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“Todos devemos ter mais consideração com o outro”, Miss Croácia, 2012.

A ser verdade, a frase da menina Burg foi dita no ano daqueles que foram os últimos grandes Jogos Olímpicos do medo, os de Londres. Na altura, o terrorismo era uma “sombra” diária e o mundo atravessava uma crise económica que fazia mergulhar o próprio Reino Unido na segunda recessão em três anos. Mesmo assim, o primeiro-ministro David Cameron prometeu converter a realização britânica em “ouro puro”. Verde. Para isso, a XXX Olimpíada estava assente na ideia de ecologia. com o aproveitamento de recursos e espaços. E, como observei “in loco”, conseguiu fazer brilhar a cidade. Se bem que com uma luz de “quilate” inferior ao que tínhamos visto quatro anos antes na pujante Pequim.

Agora, oito anos volvidos e chegados a “Tóquio-2020”, o medo voltou a instalar-se em vésperas da maior competição desportiva do planeta. Através de um factor totalmente inesperado e impensável nos tempos modernos: uma doença, que ameaçava transformar a competição e o lema olímpico em algo como “menos rápido, menos alto, menos forte”. E só o senhor [Thomas] Bach é que parecia não o compreender.
O compatriota do compositor e ex-campeão alemão de esgrima é o actual presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) que teimava em manter uma prova “ferida de morte”, caso esta se disputasse no próximo Verão. Há atletas que ainda não conseguiram o apuramento – cerca de 45 por cento dos elegíveis – mas que também não tinham provas para o tentarem por estas se encontrarem suspensas ou adiadas. Quem já havia “carimbado o passaporte” para a capital japonesa está, na sua maioria, retido em casa e, assim, também impedido de treinar.

Mais: a “onda” da COVID-19 atravessa a Europa, vinda da Ásia, e irá a seguir “rebentar em força” na América. O que, segundo alguns cálculos, deverá acontecer a poucos dias daquela que seria a data da cerimónia de abertura no novo Estádio Nacional do Japão. Limitando e enfraquecendo, deste modo, a disponibilidade física (e mental) dos competidores oriundos daquele continente e deixando-os em desigualdade para com os demais. Por isto, o que já não é pouco, vários países ameaçaram ficar em casa, em caso de manutenção do calendário previsto. E até Portugal já o havia entendido e se “desalinhou”, quando o responsável do nosso comité pediu rapidez no anúncio de adiamento dos Jogos Olímpicos por carta dirigida directamente ao antigo “espadachim”.

Restava ao senhor Bach pôr fim a esta “sinfonia triste” fazendo como as misses e desejando “paz e prosperidade aos povos” (presentes em Tóquio) mas (agora e finalmente) só em… 2021.

Rui Costa Viegas

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