A realidade I40 no contexto do novo coronavírus – o novo normal!

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É normal trabalharmos, é normal fazermos reunião e irmos
para escola estudar, ir ao shopping e ao cinema, ao
mercado e sairmos para comer fora, é normal… é normal,
até ao momento em que deixa de ser – e criaram
as tais das barreiras não farmacológicas, que restringem
basicamente o convívio social, que é exatamente o que
nos diferencia como seres humanos. A relação humana
deixou de ser normal e passou a ser um problema!

E então, tudo aquilo que tratávamos como conveniência,
supérfluo, aquelas coisas de nerds e gajos que gostam
de tecnologia, de millennials que usam a tecnologia
para tudo, isso sim, passou a ser do interesse de todos.
Aqueles que negavam e recusavam a tecnologia como
se fosse algo de outro mundo, diferente do seu, sempre
achando tudo muito confuso e confundindo a transformação
digital com redes sociais e a fazer internet
banking, isso sim, isso sim, passou a ser o novo normal.

Agora, dentro deste novo normal, onde estamos “convidados”
a ficar dentro de casa, tudo começou a ficar mais
acessível. À distancia que estamos do smartphone, tudo
converge para ele, e de lá, pronto… podemos aceder ao
mundo para fazer compras, de comida, a remédio, irmos
a concertos e cinemas, através dos canais de streaming
ou usando VR e falar com nossas assistentes virtuais,
usando IA: “Alexa, como está a bolsa?… Bolsa não, Alexa,
toca música clássica (para acalmar!), agenda um evento
com o Fulano, liga para Cicrano”. Mantemo-nos conectados
aos sites de noticias do mundo através da internet,vamos ao banco pelas aplicações, movimentamos tudo
usando os aplicativos de entrega. Hoje vi no Youtube um
drone, levando um cachorrinho passear na rua e o dono,
controlando… da varanda de casa?!?!

As pessoas continuam a conviver através da media
social, redes colaborativas unem funcionários de empresas
que deixaram de se reunir num único endereço
e passaram a trabalhar virtualmente em vários locais,
enfim… Com mais de trinta anos de vida profissional, nunca
vivemos uma experiência transformadora como esta
que estamos experimentando agora, para vivermos o
nosso novo normal.

Nunca tivemos a oportunidade de ver de forma tão clara
o significado do termo MUVUCA (Meaningful, Universal,
Volatile, Uncertain, Complex, Ambiguous) aplicado na prática
associado ao fenómeno de propagação do COVID-19.
Jamais em tempos de paz tivemos tão claro, um propósito
único para a humanidade, que é o combate ao
vírus; a universalização e globalização de um problema
como este nunca foi sentido de forma tão enfática
como agora. Com todos os esforços no sentido de evitarmos
a propagação da doença, o Mundo escancarou
volatilidade e incertezas, económicas com o derreter
dos mercados financeiros e a paralisação de cadeias de
distribuição. Sendo pulverizados por teorias de conspiração,
a complexidade e ambiguidade da natureza
humana nunca ficou tão evidente em discussões sobre
a seriedade ou não do problema, se sub ou superestimamos
o problema. Não é “torcida” de futebol, é serio!

Nas palestras, debates e apresentações, temos sempre
a oportunidade de dizer que todas as revoluções industriais
pelas quais a humanidade passou foram respostas
da própria sociedade para atender as demandas especificas
que nós, seres humanos, estávamos criando,
dentro dos diversos contextos pelos quais passamos.
Na era agrícola, onde a terra era o principal elemento
de anseio, éramos divididos entre aristocratas e plebeus,
tivemos a primeira revolução industrial com a
aplicação do vapor na substituição dos animais. Na era
industrial tínhamos a divisão entre o proletariado e o
mundo capitalista, com a definição das classes sociais.
Tivemos a segunda e terceira revoluções industriais,
indo do uso da energia elétrica e das linhas de montagens,
totalmente manuais no inicio, à sua completa
automação, que evoluiu nos anos 80 e 90.

E agora, na era da informação e do conhecimento, onde
o humano e o digital disputam sua posição, e a personalização
em massa passou a ser o nome do jogo, a
I40 trouxe a realidade da quarta revolução industrial
para dar as respostas que precisamos no contexto em
que o consumo é determinado pela relação que temos
com a transformação digital, definindo assim, o mundo
MUVUCA em que vivemos.
Com a pandemia que vivenciamos temos a certeza de
que certos elementos que viabilizam a implantação
da I40 passam a ter um papel importantíssimo como
alavancadores para reduzir o tempo de acharmos soluções
e para nos ajudar a mitigar os efeitos nefastos
que esta situação está a trazer para a humanidade,
conforme demonstrado no infográfico abaixo, e que
passamos a explorar a seguir.
Big data e data analytics têm um papel fundamental
para analisar e antecipar doenças emergentes e ajudar
na contenção e amplitude do seu contágio.

A consolidação do e-commerce e das Fintechs, serão importantes
para ajudar que a economia continue a movimentar-
se (e à circulação de mercadorias) e para que o
mercado financeiro continue a funcionar, mesmo com
as condições de restrição que estão a ser impostas.
A privacidade e a segurança de dados serão potencializadas
nesta situação em que a confiabilidade da informação
e o seu manuseio passam a ser fundamentais
para se ter uma visão realista da situação que estamos
a enfrentar.

Grandes aglomerações e eventos serão substituídos
por versões sociais e digitais, ao invés dos formatos
tradicionais a que estamos acostumados.
IA cada vez mais ativa, alimentando as análises de dados
e informações para que possamos ser mais ágeis,
preventivos e preditivos nos tratamentos.
Redes colaborativas e P2P (peer to peer), com cada vez
mais suporte nas plataformas de co-criação, flexibilizando
e criando escala às demandas do trabalho à distância.
Distanciamento e preservação social sendo viabilizadas
cada vez mais por sistemas autónomos de atendimento
e com a automação de actividades repetitivas e que
não agreguem valor.

User-interface (UI) e realidade aumentada auxiliando
a potencializar o processo de inclusão, colaboração e
aprendizagem das organizações e estruturas de trabalho.
Cobertura através do uso de drones de regiões potencialmente de risco mas que precisam de intervenção,
efetiva, rápida e directa, reduzindo o risco em áreas
onde o contacto humano deva ser evitado.
A mobilidade e o cloud-computing disponibilizam e democratizam a implementação rápida e efetiva das soluções
tecnológicas alcançadas.

Como dizemos, a I40 fará com que as empresas se tornem
mais inteligentes e que com a análise dos seus dados
possam cada vez mais se antecipar aos problemas
e prever em tempo justo, quais ações preditivas ela
precisa tomar no seu processo decisório como um todo
e potenciar a sua capacidade de entregar resultados.
A tecnologia ajuda a gerar os dados e a transformá-los
em informação – e as informações transformam-se em
conhecimento que ajuda a optimizar os negócios. Mas
neste caso, a tecnologia de facto ajuda a salvar vidas e
atua como um recurso-chave que viabiliza o alcançar
de metas até há pouco tempo inimagináveis.

Por outro lado, sabemos que toda a inovação só faz sentido
se puder ser útil e fazer algo que ajude as pessoas,
criadas por e para pessoas, mas muitas lições ficam deste
processo: Reafirmarmos a aprendizagem e perguntamo-
nos se construir um hospital em dez dias é inovação
– ou se é o novo normal – não será tão estranho talvez
num futuro imediato como poderá soar agora.
Juntamente com as inovações vêm as ondas tecnológicas
e com elas os ciclos económicos, que serão cada vez
mais curtos, rápidos e disruptivos, como a tecnologia,
dando-nos a certeza de que não estamos vivenciando
a crise, e sim, a crise da vez, só esperando a próxima. E
de que este cenário faz parte de um contexto que passa
a ser parte do “novo” normal – e isto consequentemente
provoca-nos a sair da zona de conforto, alterando
a forma como nos relacionamos e nos comportamos
em função da necessidade de adaptação. Já que, como
dizia Darwin “…não são os mais fortes que sobrevivem
e sim os que mais rapidamente se adaptam…”.

A I40 traz um comportamento desejado e esperado,
que é determinado pela necessidade de entrarmos os
nossos esforços e soluções na flexibilidade, agilidade,
colaboração, cooperação e co-criação com as plataformas
de inovação aberta casa vez mais presentes no
nosso ecossistema… Quando passamos por estes aspectos,
a impressão que nos dá é a de que devemos
então ser algo muito parecido com o que as startups
são, e aí destacamos um engano que cometemos frequentemente:
não temos que nos transformar em startups.
Isso não é possível na minha opinião, mas sim,
devemos aprender a trabalhar como e com elas.
Só assim podemos criar soluções disruptivas e entender
que construir um hospital em 10 dias não deveria
ser visto como excepção, mas sim como o novo normal.

O errado é demorar anos. E para isso, um ambiente regulado
no sentido de que viabilizemos as condições de
aprendermos, testarmos e experimentamos é essencial,
pois quando enfrentarmos o que estamos enfrentando
agora, por exemplo, já estaremos tomados por
uma forma de pensar mais condizente com a realidade
dos dias em que vivemos.
Concluindo, de uma coisa temos certeza: não sairemos
desta situação em que nos encontramos agora, iguais
ao que éramos quando entrámos. E, como somos optimistas
por natureza, temos certeza de que sairemos
bem melhores, mais evoluídos, principalmente como
seres humanos.

Vamos entender que o cisne negro vem para propor
mudanças e disrupção e é exatamente este o Mundo
em que vivemos. Além de recuperarmos, vivermos e
consolidarmos muitos valores humanos, que fomos
deixando para trás ao longo dos anos, questionar se a
nossa relação com o trabalho, com o capital, com nossa
família, é a melhor que podemos ter – e entender que a
tecnologia faz parte de nossas conquistas – ajuda-nos
e é uma resposta às nossas próprias necessidades. De
que estamos na frente da criação e que ela é essencial
para passarmos por este 2020, que já ocupa um lugar
especial na história da humanidade.

A I40 é nossa aliada, ela nos dará a condição necessária
para que possamos fazer aquilo que naturalmente
fomos criados para fazer: sermos humanos! Basta que
acreditemos e trabalhemos muito neste sentido.

António Grandini (VP da Unidade de 4.0 da Inova Consulting)

Luis Rasquilha (CEO da Inova Consulting)

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