Toca e Foge

Podemos afirmar que Portugal e a Europa passam pelo seu maior conflito desde 1945. O nosso inimigo não é um exército. O nosso inimigo não tem aliados.

O nosso inimigo está contra a humanidade inteira. Diante do inimigo, esta Europa não teve governantes fortes nem carismáticos, que tivessem entusiasmado os povos à luta e à vitória. Enquanto morriam pessoas, discutia-se em Bruxelas o tamanho das máscaras e o modo de agrafar fitas. Nenhum governante Europeu teve a força e carisma para enfrentar este inimigo, nenhum! – quem o enfrentou e enfrenta é o Povo. Permitam-me dizer com orgulho: os Portugueses são um Povo extraordinário! O nosso bom-senso, a nossa calma, o nosso sentido familiar e comunitário diante desta praga enchem-me de confiança para o futuro. Mesmo os putos na praia e os bêbados do Cais do Sodré, mesmo os incautos passeantes da Póvoa de Varzim provocaram a reacção de maior união, mais acatamento às indicações da DGS e a ficarmos em casa.

Mais: os Portugueses entenderam a necessidade de haver um SNS robusto. Entenderam que nem tudo se reduz ao dinheiro. Entenderam que uma certa ideia “liberal” pura e simplesmente não faz parte das características culturais e emocionais dos Portugueses. Haverá desobedientes, gente incrédula, gente que se está nas tintas para tudo o que vivemos. Mesmo essas não invalidam a opinião de que somos um povo extraordinário. Findo este tempo de doença e mortes, desconheço se os Países olharão para Bruxelas como um arrimo seguro. Talvez a Itália mande bugiar esta União Germânica, talvez Bruxelas abra os cordões à bolsa e inunde os mercados com fundos e prebendas, para impedir a compra chinesa das empresas europeias por atacado. Desconheço mesmo. E nós? Que nos acontecerá em termos políticos? Os conflitos tanto derrubam como elevam políticos, tanto sublimam as forças e as fraquezas dos governantes.

O Povo acaba por ver quem o defendeu e quem fugiu. Curiosa foi a reaparição das respostas do poder local. Os Presidentes de Câmaras têm sido a grande surpresa, até agora, das demonstrações de rapidez na decisão e transmissão de autoridade política. E houve aqueles que demonstraram não ter qualidades de chefiar o Povo Português e estar presentes, no momento em que este conflito aconteceu. Por isso, tenho quase, quase por certo que haverá um desaparecimento e um ressurgimento, causados pela reacção do Povo a estes tempos: Desaparece Marcelo Rebelo de Sousa e aparece Miguel Albuquerque.

Pedro Baptista-Bastos

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